quinta-feira, janeiro 21, 2010

Lua Nova

Era uma coisa assustadora, essa sensação de que um buraco havia sido construído no meu peito, fazendo meus órgãos vitais pararem de funcionar e deixando-os em trapos, com cortes não curados nas beiradas que continuavam doendo e sangrando mesmo com a passagem do tempo. Racionalmente, eu sabia que meus pulmões deviam estar intactos, mas mesmo assim eu lutava por ar e minha cabeça rodava como se os meus esforços não me levassem a nada. Meu coração devia estar batendo também, mas eu não conseguia ouvir o barulho da pulsação nos meus ouvidos; minhas mãos pareciam azuis de frio. Eu me curvei, abraçando minhas costelas pra me manter junta. Eu procurei pela minha torpência, minha negação, mas elas tinham me abandonado. E mesmo assim, eu achava que podia sobreviver. Eu estava alerta, eu sentia a dor – a dor da perda que irradiava do meu peito, mandando ondas de dor pelos meus órgãos e minha cabeça – mas era suportável. Eu podia sobreviver. Eu não senti que a dor tinha diminuído com o tempo, mas eu tinha ficado forte o suficiente pra suportá-la. O que quer que tenha acontecido essa noite – fossem os zumbis, a adrenalina, ou as alucinações os responsáveis – isso me acordou. Pela primeira vez em muito tempo, eu não sabia o que esperar pela manhã.

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